domingo, 24 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

...ainda sobre o mesmo...

"o pungente e espelhado retrato de johnny revestido pelas cavalgadas mundanas que mais tarde viria a ser o grunge, a aculturação das vivências underground, a imposição do veludo às massas, num banquete de vicissitudes laboralizadas por uma fotografia banal , tudo isto criou o ambiente de glória no qual não se culpabiliza outro senão Judas, de todos os nossos pecados"


companheiro de quarto

Patti Smith's Horses

Lançado em 1975, e produzido pelo ex-velvet undergroung John Cale, Horses apresenta-se nos uma obra-prima da música contemporânea. Um álbum que retrata uma mistura entre a rebeldia e a vivacidade da juventude, do rock n’ roll, a degradação do espaço urbano como obra de arte, o underground, o vintage, a profundidade da poesia, dos sentimentos, desta amante de Verlaine’s e Rimbaud’s. Um retrato dos quartos negros e sujos cheios de vida que, por dela se distanciarem, se aproximam do seu âmago, dos degradados edifícios de uma sempre rejuvenescida Nova Iorque, dos restos da utopia pós-guerra, do recomeçar das cinzas dos sessenta, do nascer do punk e das novas sonoridades, de uns Clash, Sex Pistols ou de uns magistrais Joy Division. De uma televisão a preto e branco, papel de parede negro de humidade, álcool, fumo, olheiras, cansaço e vida, da brasa que continua vermelha depois de a chama se apagar. Da vivacidade, da energia, da juventude, da vida, da loucura pura que nos atinge o núcleo do cérebro e nos electrifica, sem nunca largarmos o pé desse buraco negro que nos afasta da alegria e nos arrasta para a poesia, para a negra perfeição, para a beleza do degredo. O piano ressoa essa profundidade, a voz rouca e as obscuras letras que nos conduzem pelas igualmente obscuras vielas da humanidade, da negrura, do seu âmago, essa voz que nos lembra um Lou Reed, a loucura nova-iorquina, as festas, o delírio, a alucinação, e o escuro de tudo isso, a rebeldia que ardia dentro dos sempre jovens corpos que faziam a cidade de Nova Iorque, a rouquidão da experiência, da noite que há muito começou, da felicidade, da loucura, a guitarra estonteante, o som abafado, rasgado impunemente pelos impulsos explosivos mas naturais, humanos. De uma irresponsabilidade, de uma infância escura que permanece em nós para sempre, do forte bafo a álcool, que Patti nos consegue transmitir, como uma injecção de profundidade, um tiro de loucura, de epilepsia, de uma eterna juventude, que com o seu lado negro, a sua face oculta de todos e de si própria, explode em toda a sua dimensão, em rock n’ roll. A descontracção, a emancipação, a rendição à vida. O preto e branco. Horses de Patti Smith.


Este texto foi originalmente publicado no jornal da Escola Secundária Infanta Dona Maria, pelo que lamentamos a não exclusividade deste, apenas justificada pela falta de tempo, paciência e inspiração.

domingo, 1 de março de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


By Bob Dylan
i'm standing there watching the parade/
feeling combination of sleepy john estes.
jayne mansfield. humphry bogart/morti-
mer snerd. murph the surf and so forth/
erotic hitchhiker wearing japanese
blanket. gets my attention by asking didn't
he see me at this hootenanny down in
puerto vallarta, mexico/i say no you must
be mistaken. i happen to be one of the
Supremes/then he rips off his blanket
an suddenly becomes a middle-aged druggist.
up for district attorney. he starts scream-
ing at me you're the one. you're the one
that's been causing all them riots over in
vietnam. immediately turns t a bunch of
people an says if elected, he'll have me
electrocuted publicly on the next fourth
of july. i look around an all these people
he's talking to are carrying blowtorches/
needless t say, i split fast go back t the
nice quiet country. am standing there writing
WHAAT? on my favorite wall when who should
pass by in a jet plane but my recording
engineer "i'm here t pick up you and your
lastest works of art. do you need any help
with anything?''
(pause)
my songs're written with the kettledrum
in mind/a touch of any anxious color. un-
mentionable. obvious. an people perhaps
like a soft brazilian singer . . . i have
given up at making any attempt at perfection/
the fact that the white house is filled with
leaders that've never been t the apollo
theater amazes me. why allen ginsberg was
not chosen t read poetry at the inauguration
boggles my mind/if someone thinks norman
mailer is more important than hank williams
that's fine. i have no arguments an i
never drink milk. i would rather model har-
monica holders than discuss aztec anthropology/
english literature. or history of the united
nations. i accept chaos. I am not sure whether
it accepts me. i know there're some people terrified
of the bomb. but there are other people terrified
t be seen carrying a modern screen magazine.
experience teaches that silence terrifies people
the most . . . i am convinced that all souls have
some superior t deal with/like the school
system, an invisible circle of which no one
can think without consulting someone/in the
face of this, responsibility/security, success
mean absolutely nothing. . . i would not want
t be bach. mozart. tolstoy. joe hill. gertrude
stein or james dean/they are all dead. the
Great books've been written. the Great sayings
have all been said/I am about t sketch You
a picture of what goes on around here some-
times. though I don't understand too well
myself what's really happening. i do know
that we're all gonna die someday an that no
death has ever stopped the world. my poems
are written in a rhythm of unpoetic distortion/
divided by pierced ears. false eyelashes/sub-
tracted by people constantly torturing each
other. with a melodic purring line of descriptive
hollowness -- seen at times through dark sunglasses
an other forms of psychic explosion. a song is
anything that can walk by itself/i am called
a songwriter. a poem is a naked person . . . some
people say that i am a poet
(end of pause)
an so i answer my recording engineer
"yes. well i could use some help in getting
this wall in the plane"


para partilhar um pouco de poesia (se assim poderá ser chamada), rigorosamente transcrita do álbum que marcou o início de uma época e o fim de outra, para o autor e para o mundo, "Bringing It All Back Home". Através dos pequenos textos presentes tanto neste álbum como no que se lhe seguiria e que registaria o culminar artístico de Dylan, "Highway 61 Revisited", ou do seu livro "Tarântula", obra de elevado nível de interesse que explora campos como o da abstracção, da simples musicalidade das palavras, ou da poesia profunda (ou demasiado superficial?), é nos mostrado um pouco do que era o seu mundo (ou o que aparentava ser), e do que era, e ainda continua a ser, o Mundo, observações passageiras, histórias mais verídicas do que aparentam, divagações surrealistas e de intrincada complexidade resultantes numa ou várias perturbações mentais, tanto no autor como no leitor e, sempre presente, o toque magistral de Dylan.

domingo, 11 de janeiro de 2009

The Walkmen


Agora que não sou dissimulado, que se escondia debaixo das saias de mister jones, para assim, ser ouvido ou lido, que receava as portas já abertas pelas quais se via a rua e o caminho para o desconsolo e que uma vez vistas deixavam de lado a sua intrasponibilidade. De momento, já me encontro confiante, cá fora, e com o direito de vos falar de um dos grandes discos do ano, falo claro de you&me.
Este último surge-se com mais quatro irmãos, sendo o mais novo mas não o menos maduro. Criança adorável esta! Nasceu já a saber como satisfazer nos a todos, sem fugir à precedência. É o culminar deste saber já antigo de dar ao piano o papel mais audivél, uma admirável voz, roubada a Tom Petty ( comentário igualmente roubado a meu pai), e espontâneas guitarradas, suscitando amplitudes sonoras a cheirar a euforia norte-americana. De dónde está la playa a if only it were true, findando este seu disco mas não uma auspiciosa carreira, e, passando pela desfrisante in the new year ( mesmo a calhar) e, também por canadian girl, retirando o protagonismo ás outras duas, que principiam e acabam este CD. Porquanto, todos foram criados quase como um arremesso à cabeça alheia com o fito de a acordar para cultura pop. Quero com isto deixar sublinhado o facto de as boas bandas andarem por aí cobertas por si ou simplesmente pela exaustiva comercialização de outras. Para formar a regra existem algums bons grupos, tais como spiritualized, vampire weekend entre outros... Saúdo-vos e um bom ano.